


1526 · 2026
500 ANOS
CASAMENTO REAL
CARLOS V
ISABEL de
PORTUGAL

Em 1526 celebrou-se o casamento de Isabel de Portugal com Carlos V, união que selou uma das mais relevantes alianças dinásticas do século XVI. Filha de Manuel I de Portugal e de Maria de Aragão, Isabel nasceu em Lisboa, em 1503, no Paço da Alcáçova (Castelo de São Jorge). Em Janeiro de 1526 partiu de Portugal rumo a Castela, para se tornar Imperatriz do Sacro Império Romano-Germânico e Rainha de Castela e de Aragão.
Este enlace reforçou laços políticos, consolidou interesses atlânticos e projectou a influência portuguesa no cenário europeu. Celebrar os 500 anos deste matrimónio é revisitar um momento decisivo da história ibérica, marcado por diplomacia, estratégia e simbolismo. Ao longo deste evento evocamos a figura da Infanta, o significado da união e o percurso que a levou de Almeirim a Elvas, em direcção à raia, com grande comitiva, numa viagem que cruzou territórios, culturas e expectativas, tendo seguido depois para Sevilha.

ISABEL DE PORTUGAL
NOS PASSOS DA INFANTA
Nascida em 1503, Isabel de Portugal cresceu na corte portuguesa, num ambiente de grande erudição e profunda religiosidade. Educada segundo os ideais humanistas do Renascimento, destacou-se pela inteligência, discrição e sentido de dever. A sua formação incluiu línguas, música e governação, preparando-a para responsabilidades de Estado. Em 1526, ao casar com Carlos V, assumiu um papel central na política europeia.
Durante as ausências do imperador, governou como regente, revelando prudência e firmeza. Foi mãe de Filipe II, garantindo assim a continuidade da dinastia. A sua acção contribuiu para a estabilidade dos territórios hispânicos num período de intensas transformações. Recordada como imperatriz culta e virtuosa, Isabel representa a projecção internacional de Portugal no século XVI e um exemplo notável de liderança feminina na Europa renascentista.

UM CASAMENTO
QUE MUDOU A EUROPA
O casamento entre Isabel de Portugal e Carlos V foi acordado no contexto das complexas alianças europeias do início do século XVI. Mais do que uma união afectiva, tratou-se de uma estratégia política destinada a fortalecer os laços entre Portugal e o vasto conjunto de territórios governados pelo imperador. A cerimónia realizou-se em 1526, após negociações diplomáticas. O matrimónio representou o fortalecimento dos laços dinásticos entre dois impérios transcontinentais, distintos na sua organização e esferas de influência, mas com interesses estratégicos comuns. Para além da dimensão política, a relação revelou cumplicidade e respeito mútuo, frequentemente assinalados pela correspondência e pelo reconhecimento público do valor da imperatriz. A celebração dos 500 anos deste enlace convida à reflexão sobre o impacto duradouro desta aliança na história ibérica e europeia.

A viagem da Infanta
ATÉ à RAIA
A partida de Isabel de Portugal rumo a Castela marcou o início de uma jornada simbólica e transformadora. Ao deixar Portugal, a Infanta atravessou terras onde foi recebida com seguro entusiasmo. Cada etapa reforçou o significado político da viagem, que a conduzia ao encontro com Carlos V. Mais do que uma deslocação geográfica, foi a transição de uma princesa portuguesa para uma imperatriz europeia.


ALMEIRIM
30.01.1526
CHAMUSCA
entre 30.01 e 03.02.1526
PONTE DE SOR
entre 30.01 e 03.02.1526
ALTER DO CHÃO
entre 30.01 e 03.02.1526
MONFORTE
04.02.1526
ELVAS
05.02.1526
PONTE DO RIO CAIA
07.02.1526
BADAJOZ
08.02.1526
LERENA
22.02.1526
CANTILLANA
01.03.1526
SEVILHA
03.03.1526
Mapa histórico de Portugal (c. 1560; edição de c. 1616)
Este mapa é uma reprodução digital da edição publicada em Amesterdão por Jodocus Hondius, cerca de 1616, baseada no original de Fernando Álvares Seco (c. 1560), posteriormente revisto em 1600.
Como é característico da cartografia da época, o mapa apresenta imprecisões na representação das distâncias, proporções e localização de alguns elementos.
Foi no Paço Real da Alcáçova, em Lisboa, adjacente ao Castelo de São Jorge, que nasceu, a 24 de Outubro de 1503, a infanta Isabel de Portugal, segunda filha do rei D. Manuel I e da sua segunda esposa, D. Maria de Aragão.
LISBOA
ANTIGO PAÇO REAL DA ALCÁÇOVA

Na Chamusca, terra ligada à paisagem ribeirinha do Tejo e às férteis lezírias ribatejanas, a passagem da comitiva real terá suscitado reacções de entusiasmo e aclamação. O ambiente rural contrastaria com a grandeza da comitiva, tornando esta etapa particularmente simbólica. Representou a ligação entre o quotidiano do reino e a projecção internacional que o casamento proporcionaria.
CHAMUSCA
Igreja de São BrÁs

Monforte, com a sua herança medieval e proximidade à linha defensiva da fronteira, representou uma etapa de grande significado estratégico. A recepção à Infanta terá integrado gestos de reconhecimento. A atmosfera de transição tornava-se mais evidente, pois aproximava-se o momento de deixar, em definitivo, o território português. Aqui sentia-se já o peso histórico da missão que conduzia Isabel ao encontro do seu esposo.
MONFORTE
PONTE ROMANA SOBRE A RIBEIRA DE MONFORTE

Entre as Cortes de Torres Novas
e a viagem até à fronteira
Em Torres Novas teve lugar um momento decisivo do processo matrimonial: a aprovação, em Cortes, do dote destinado a Isabel de Portugal. Aí se formalizou o compromisso financeiro e político associado ao casamento com Carlos V. A deliberação conferiu legitimidade institucional à união e reforçou a sua importância estratégica. Torres Novas ficou, assim, ligada a um dos actos preparatórios mais relevantes deste enlace.
TORRES NOVAS
Igreja de São Pedro

Ponte de Sor assinalou a progressiva aproximação à fronteira e às planuras do nordeste da comarca de Entre-Tejo-e-Odiana. Terra de passagem e de cruzamento de caminhos, acolheu a Infanta num ambiente de expectativa e respeito. As cerimónias, onde foram servidos bons vinhos, reforçaram o sentido de missão histórica da jornada. A paisagem aberta e os horizontes amplos evocavam já a transição para novos territórios, sublinhando o carácter irreversível da partida rumo à fronteira do Caia.
PONTE DE SOR
ENTRADA NA VILA PELO LADO DA PONTE

Última grande paragem em solo português, Elvas assumiu um papel central na despedida. Praça fortificada e chave da fronteira do reino, simbolizava não só a protecção de Portugal mas também a passagem para Castela. As cerimónias foram particularmente emotivas, reunindo autoridades civis, militares e religiosas. A poucos quilómetros de Elvas, na ponte sobre o rio Caia, consumava-se a transição: a Infanta abandonava Portugal para se tornar Imperatriz, levando consigo a memória e a identidade da sua terra.
ELVAS
CASTELO DE ELVAS

Foi no Paço Real de Almeirim que se celebrou o casamento por procuração entre Isabel de Portugal e Carlos V. A cerimónia, marcada por grande aparato simbólico e diplomático, formalizou a união antes do encontro dos esposos. Concluído este ritual, momento de reafirmação da identidade portuguesa antes da despedida definitiva, daqui partiu a comitiva que conduziria a Infanta rumo a Castela e ao seu novo destino imperial. Almeirim, que ofereceu o cenário de grande significado simbólico, tornou-se, assim, o ponto de partida para o caminho que levaria a Infanta até à raia.
ALMEIRIM
antigo Paço Real de Almeirim

Em Alter do Chão, terra marcada por tradições rurais e pela criação de cavalos, a presença da comitiva revestiu-se de particular solenidade. A vila, ligada a antigas linhagens e à cultura alentejana, participou nas celebrações que marcavam a viagem. Este ponto do percurso reforçou a dimensão simbólica do caminho: cada localidade contribuía para a despedida colectiva de Isabel.
ALTER DO CHÃO
Castelo DE Alter do Chão


LISBOA
Antigo Paço Real da Alcáçova
Foi no antigo Paço Real da Alcáçova de Lisboa, adjacente ao Castelo de São Jorge, que nasceu, a 24 de Outubro de 1503, a infanta Isabel de Portugal, segunda filha do rei D. Manuel I e da sua segunda esposa, D. Maria de Aragão.

TORRES NOVAS
Igreja de São Pedro
Em Torres Novas teve lugar um momento decisivo do processo matrimonial: a aprovação, em Cortes, do dote destinado a Isabel de Portugal. Aí se formalizou o compromisso financeiro e político associado ao casamento com Carlos V. A deliberação conferiu legitimidade institucional à união e reforçou a sua importância estratégica. Torres Novas ficou, assim, ligada a um dos actos preparatórios mais relevantes deste enlace.

ALMEIRIM
Antigo Paço Real de Almeirim
Foi no Paço Real de Almeirim que se celebrou o casamento por procuração entre Isabel de Portugal e Carlos V. A cerimónia, marcada por grande aparato simbólico e diplomático, formalizou a união antes do encontro dos esposos. Concluído este ritual, momento de reafirmação da identidade portuguesa antes da despedida definitiva, daqui partiu a comitiva que conduziria a Infanta rumo a Castela e ao seu novo destino imperial. Almeirim, que ofereceu o cenário de grande significado simbólico, tornou-se, assim, o ponto de partida para o caminho que levaria a Infanta até à raia.

CHAMUSCA
Igreja de São Bras
Na Chamusca, terra ligada à paisagem ribeirinha do Tejo e às férteis lezírias ribatejanas, a passagem da comitiva real terá suscitado reacções de entusiasmo e aclamação. O ambiente rural contrastaria com a grandeza da comitiva, tornando esta etapa particularmente simbólica. Representou a ligação entre o quotidiano do reino e a projecção internacional que o casamento proporcionaria.

PONTE DE SOR
Entrada na Vila pelo Lado da Ponte
Ponte de Sor assinalou a progressiva aproximação à fronteira e às planuras do nordeste da comarca de Entre-Tejo-e-Odiana. Terra de passagem e de cruzamento de caminhos, acolheu a Infanta num ambiente de expectativa e respeito. As cerimónias, onde foram servidos bons vinhos, reforçaram o sentido de missão histórica da jornada. A paisagem aberta e os horizontes amplos evocavam já a transição para novos territórios, sublinhando o carácter irreversível da partida rumo à fronteira do Caia.

ALTER DO CHÃO
Castelo de Alter do Chão
Em Alter do Chão, terra marcada por tradições rurais e pela criação de cavalos, a presença da comitiva revestiu-se de particular solenidade. A vila, ligada a antigas linhagens e à cultura alentejana, participou nas celebrações que marcavam a viagem. Este ponto do percurso reforçou a dimensão simbólica do caminho: cada localidade contribuía para a despedida colectiva de Isabel.

MONFORTE
Ponte Romana sobre a Ribeira de Monforte
Monforte, com a sua herança medieval e proximidade à linha defensiva da fronteira, representou uma etapa de grande significado estratégico. A recepção à Infanta terá integrado gestos de reconhecimento. A atmosfera de transição tornava-se mais evidente, pois aproximava-se o momento de deixar, em definitivo, o território português. Aqui sentia-se já o peso histórico da missão que conduzia Isabel ao encontro do seu esposo.

ELVAS
Castelo de Elvas
Última grande paragem em solo português, Elvas assumiu um papel central na despedida. Praça fortificada e chave da fronteira, simbolizava a protecção do reino e a passagem para Castela. As cerimónias foram particularmente emotivas, reunindo autoridades civis, militares e religiosas. A poucos quilómetros de Elvas, na ponte sobre o rio Caia, consumava-se a transição: a Infanta abandonava Portugal para se tornar Imperatriz, levando consigo a memória e a identidade da sua terra.
EVENTOS
COMEMORATIVOS
11 — 19 de ABRIL e 9 de OUTUBRo de 2026
Visita guiada | Conferência
A Infanta D. Isabel na Alcáçova de Lisboa
11 de Abril de 2026 | A partir das 14:00
Lisboa · Castelo de São Jorge
Sessão cultural e científica com visita guiada ao Monumento e conferência dedicada à temática «Nunca faças a guerra a Portugal!», contemplando ainda um momento evocativo com o descerramento de uma placa comemorativa, assinalando a efeméride histórica no Castelo de São Jorge.
CONFERÊNCIA | MÚSICA
A INFANTA D. ISABEL EM TORRES NOVAS
12 de Abril de 2026 | A partir das 16:00
Torres Novas · Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes
Programa comemorativo com uma conferência temática sobre o contexto histórico do casamento imperial, acompanhada de um momento musical. A iniciativa procura dar a conhecer o ambiente político e cultural do início do século XVI, aproximando o público da memória histórica.
Sessão comemorativa | Conferência | Exposição
Em torno do antigo Paço Real de Almeirim
13 de Abril de 2026 | A partir das 14:00
Almeirim · Antiga Igreja do Divino Espírito Santo de Almeirim
Sessão evocativa com recepção oficial, conferências e momentos culturais, assinalando os acontecimentos históricos ligados ao antigo Paço Real de Almeirim, incluindo uma breve evocação histórica, apresentação de folclore local e visita a uma exposição sobre a cartografia histórica do município.
Colóquio | Visita guiada
«O Matrimónio da Infanta D. Isabel de Portugal com o Imperador Carlos V: Histórias e Vivências»
14 de Abril de 2026 | A partir das 9:30
Chamusca · Edifício São Francisco
Colóquio multidisciplinar dedicado ao V Centenário do Matrimónio, com especialistas em história, história da arte, arquitectura e música, reflectindo sobre o contexto político, cultural e diplomático do casamento, terminando com uma visita guiada à Igreja Matriz de São Brás da Chamusca.
Conferência | Exposição
«La prometida del Emperador debe de ser hermosísima»
15 de Abril de 2026 | A partir das 16:00
Ponte de Sor · Centro de Artes e Cultura
Conferência dedicada a retratos e imagens de D. Isabel de Portugal, enquadrando a produção artística do Renascimento e os seus códigos iconográficos, acompanhada de exposição de trabalhos dos alunos do Curso de Artes da Escola Secundária de Ponte de Sor, reinterpretando retratos quinhentistas da Infanta D. Isabel de Portugal.
Apresentação de Foral | Recriação Histórica
A Entrada da Infanta D. Isabel em Alter do Chão
16 de Abril de 2026 | A partir das 15:00
Alter do Chão · Castelo de Alter do Chão
Apresentação do Foral Manuelino de Alter do Chão, à guarda do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, seguida de recriação histórica do cortejo de entrada da Infanta D. Isabel de Portugal em Alter do Chão, junto ao Castelo, com música e danças de época.
Recriação Histórica | Exposição | Teatro | Cinema
«Pegadas na História: A Infanta D. Isabel em Monforte»
17 de Abril de 2026 | Todo o dia
Monforte · Paços do Concelho · Praça da República · Centro de Educação, Formação e Universidade Sénior
Programa cultural evocativo do esplendor da época renascentista, celebrando a passagem de D. Isabel de Portugal por Monforte, incluindo cerimónias de boas-vindas, cortejo histórico, banquete com gastronomia regional, teatro vicentino, danças renascentistas, exposição de artes plásticas e cinema histórico.
Conferência
«La estancia de Isabel de Portugal en Badajoz de camino a los esponsales con el emperador Carlos V
17 de Abril de 2026 | A partir das 18:30
Badajoz · Espacio Cultural Santa Catalina
Conferência do Professor Carlos Belloso sobre a estadia de D. Isabel em Badajoz, durante o percurso até Sevilha para o matrimónio com Carlos V.
Recriação Histórica
Chegada da Infanta D. Isabel a Elvas
18 de Abril de 2026 | Das 11:00 às 22:30
Elvas · Portas de Olivença · Rua de Olivença · Rua da Carreira · Praça da República · Rua João Pereira de Abreu · Rua dos Quartéis · Parada do Castelo · Castelo de Elvas
Recriação histórica evocativa da chegada de D. Isabel a Elvas, integrada nas comemorações do seu casamento com Carlos V. O programa inclui um cortejo régio pelas ruas da cidade – iniciado nas Portas de Olivença –, momentos de animação histórica com a saudação à Infanta, banquete real, danças e baile de corte, reencenando o ambiente político e cerimonial do século XVI.
Recriação Histórica
Entrega da Infanta D. Isabel em Badajoz
19 de Abril de 2026 | Das 10:00 às 12:00
Badajoz · Ponte de Palmas · Portas de Palmas · Catedral de San Juan Bautista
Encenação histórica da entrega formal da D. Isabel de Portugal ao séquito espanhol, evocando o momento diplomático que viria a selar a união com o imperador Carlos V. O programa contempla o cortejo solene desde o Hornaveque da Ponte de Palmas até à Catedral de Badajoz, recepções oficiais e cerimónia régia com dança e música de câmara.
Lançamento de selo
Isabel de Portugal, Imperatriz do Sacro Império Romano-Germânico
9 de Outubro de 2026
Lisboa · Fundação Portuguesa das Comunicações/Museu das Comunicações
No Dia Mundial dos Correios, marcando o encerramento das comemorações do V Centenário do Matrimónio de Isabel de Portugal e Carlos V, será lançado um selo comemorativo dedicado a D. Isabel pelos CTT – Correios de Portugal, S. A.
Parceiros e patrocinadores


500 ANOS
CASAMENTO REAL
Copyright © 2026 Academia Portuguesa da História
Política de Cookies e Privacidade
Design © atelier-do-ver